MIAMI – Em um movimento que redesenha as alianças estratégicas no continente, o governo dos Estados Unidos formalizou neste sábado (7) a "Carta de Doral", um acordo de cooperação militar e segurança assinado com 16 nações da América Latina. A cúpula, no entanto, ficou marcada por ausências de peso: Brasil, Colômbia e México não foram convidados, consolidando um isolamento diplomático dos governos de esquerda da região frente à nova agenda de Washington.
A reunião, liderada pelo presidente Donald Trump, focou na criação de uma coalizão militar para o combate direto aos cartéis de drogas e ao crime organizado. Entre os signatários estão líderes alinhados à direita e centro-direita, como Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador) e Daniel Noboa (Equador), além do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
Apoio logístico e tático dos EUA em operações domésticas contra o narcotráfico.
Compartilhamento de inteligência em tempo real.
Barreira contra a influência chinesa, limitando investimentos de Pequim em infraestruturas estratégicas dos países signatários.
A exclusão do Brasil (Lula), Colômbia (Petro) e México (Sheinbaum) sinaliza uma ruptura profunda. Tradicionalmente, Brasil e Colômbia são peças-chave em qualquer debate sobre segurança na América do Sul. No entanto, as críticas desses governos à recente intervenção dos EUA na Venezuela e a resistência em adotar uma postura militarizada no combate às drogas os afastaram do convite.
"A região de vocês foi abandonada pelos EUA por muito tempo. Isso acaba hoje", declarou Trump durante o discurso de encerramento, em uma clara indireta aos países que buscam neutralidade ou parcerias com a China.
Para analistas diplomáticos, a ausência do Brasil na mesa de negociações em Miami enfraquece a liderança regional do país no Itamaraty e isola o governo Lula em temas de defesa. Por outro lado, o governo brasileiro tem reiterado que a "América Latina deve ser uma zona de paz" e critica o que chama de "subordinação" à política externa norte-americana.
A tendência é que, nos próximos dias, o Itamaraty e o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia emitam uma nota conjunta sobre o impacto desse novo bloco militar na estabilidade regional.
