A recente polêmica envolvendo a chamada “UPA 24h” de Araripina reacendeu um debate antigo e necessário: a saúde pública no município e a carência de representação política eficaz nas esferas estadual e, principalmente, federal.
Implantada na gestão passada, a unidade que foi anunciada como "UPA24H" nunca funcionou oficialmente como tal. Tratava-se, na prática, de uma extensão do Hospital e Maternidade Santa Maria, voltada para atendimentos de urgência e emergência, funcionando em um prédio que, segundo nota das Irmãs Medianeiras da Paz, será devolvido em um prazo de transição de até 60 dias.
Durante o período de funcionamento, muitos problemas foram relatados. A população enfrentou dificuldades estruturais, limitações de atendimento e carência de profissionais inclusive; (esse que vos escreve passou por um problema com um familiar que recebeu medicação errada, mas não vou aqui relatar). Ainda assim, com altos e baixos é preciso reconhecer que parte da demanda básica foi atendida naquele espaço, evitando que a situação fosse ainda mais grave.
Manter uma UPA24H exige alto investimento, equipe qualificada e custeio contínuo — uma realidade desafiadora para municípios de médio porte como Araripina.
O que se observa, no entanto, é que o maior problema vai além da estrutura física: trata-se da ausência de representação política efetiva que priorize a saúde do povo araripinense sabemos que nao depende apenas do prefeito municipal.
Enquanto quem possui condições financeiras recorre às clínicas particulares, a maioria da população depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). E essa maioria enfrenta filas, regulação demorada, espera por vagas e incertezas que, muitas vezes, custam sofrimento e até vidas.
A situação lembra uma conhecida anedota popular: um parente procura líderes políticos para conseguir um caixão para enterrar um familiar e ouve como resposta que deve voltar em três dias. Desesperado, pede ao menos alguns quilos de sal para suportar a espera. A piada é amarga e sem graça, mas retrata uma realidade frequente na saúde pública brasileira — impostos não faltam, mas os benefícios nem sempre chegam a quem mais precisa.
Araripina necessita de protagonismo político. Precisa de representantes na esfera federal que atuem com firmeza na captação de recursos, na destinação de emendas parlamentares e na articulação de investimentos estruturantes. A construção e manutenção de um hospital municipal bem equipado, com médicos de fato presentes nos plantões e enfermeiros experientes, poderia garantir o atendimento básico e desafogar unidades de maior complexidade.
A proposta de fortalecer um hospital municipal para atendimentos essenciais, deixando os casos de média e alta complexidade para unidades estaduais, é um caminho viável — desde que haja planejamento, recursos e compromisso. Contudo, sem apoio consistente da bancada federal e sem prioridade nas pautas de Brasília, os municípios do interior continuam à margem das grandes decisões orçamentárias.
Enquanto debates políticos se arrastam, quem sofre é o povo. A saúde não pode ser promessa de campanha, nem instrumento de disputa partidária. É direito constitucional e dever do Estado. Araripina precisa ser vista, ouvida e representada. Precisa transformar improvisos em política pública estruturada. E, acima de tudo, precisa que a dor da população seja tratada como prioridade — não como estatística.
Porque, no fim das contas, quem continua esperando na fila é sempre o cidadão.
