São Paulo segue como polo de atração para imigrantes venezuelanos em busca de programas sociais no Brasil. Dados atualizados do Cadastro Único (CadÚnico), de setembro de 2025, revelam que o estado concentra cerca de 6,7% dos 383 mil venezuelanos inscritos no sistema nacional — o que equivale a 26 mil pessoas. O CadÚnico é porta de entrada para benefícios como o Bolsa Família, além de auxílios estaduais e municipais.Na capital paulista, o número salta aos olhos: 9.581 venezuelanos recebiam ajuda dos governos federal, estadual e municipal em setembro, consolidando São Paulo como o principal destino no estado. A cidade abriga mais de um terço dos inscritos paulistas, impulsionada por oportunidades de trabalho informal, redes de apoio comunitário e infraestrutura urbana.Guarulhos aparece em segundo lugar, com 1.348 venezuelanos no CadÚnico — um reflexo de sua proximidade com o Aeroporto Internacional de Guarulhos, principal ponto de entrada para refugiados da crise venezuelana. Outras cidades da Região Metropolitana, como Santo André e Osasco, também registram presença crescente, mas em escala menor.Esses números atualizados, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, mostram uma estabilização na migração venezuelana pós-pandemia. Desde 2018, mais de 600 mil venezuelanos se regularizaram no Brasil via residência ou refúgio, com São Paulo absorvendo cerca de 10% desse fluxo total. Especialistas apontam que o Bolsa Família, com valores reajustados para R$ 700 em 2025, tem sido crucial para a integração, reduzindo a dependência de abrigos como o de Pacas, na capital.No entanto, desafios persistem: superlotação em abrigos e barreiras linguísticas limitam o acesso pleno aos benefícios. "São Paulo é um imã, mas precisa de políticas mais robustas para emprego qualificado", avalia o sociólogo Demétrio Magnani, do Observatório das Migrações.