Os bastidores da política pernambucana fervilham. A governadora Raquel Lyra (PSD) vive seu maior dilema eleitoral desde que assumiu o Palácio do Campo das Princesas: definir quem será o candidato ao Senado Federal na chapa governista para as eleições de outubro de 2026. Dois nomes de peso disputam lado a lado a indicação — e a decisão da governadora promete definir o tom da campanha majoritária no Estado.

De um lado, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que conta com o respaldo da executiva estadual da Federação União Progressista e do copresidente nacional da federação, senador Ciro Nogueira. Do outro, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil), presidente estadual do partido e figura consolidada no palanque da governadora, que não abre mão de sua pré-candidatura.

A tensão escalou na última segunda-feira (29 de junho), quando a executiva estadual da Federação União Progressista se reuniu no Recife e oficializou Eduardo da Fonte como pré-candidato ao Senado. O parlamentar celebrou a decisão nas redes sociais: "Isso é um indicativo muito importante, consistente e que consolida a nossa pré-candidatura ao Senado Federal."

Mas a celebração durou pouco. Minutos antes da deliberação, o presidente nacional da federação, Antonio Rueda (União), divulgou uma nota informando que não havia qualquer definição sobre as candidaturas majoritárias em Pernambuco. Rueda deixou claro: qualquer decisão local que não conte com unanimidade entre PP e União Brasil "não produzirá nenhum efeito perante a Executiva Nacional" .

O impasse expôs a divisão interna da federação. Enquanto Ciro Nogueira referendava a indicação de Eduardo da Fonte, Miguel Coelho reafirmava nas redes que continuava na disputa. ​

Em entrevista ao podcast Dose Dupla , exibido na última terça-feira (30), Miguel Coelho negou que exista uma "disputa" na federação, mas reafirmou sua pré-candidatura com firmeza.

"Não tem disputa. São dois projetos legítimos. Até porque, quando se trata de uma federação de dois partidos grandes, que é o nosso caso, do União Brasil junto com o PP, é óbvio que vai ter divergências e conflito de interesses naturais de um processo." — Miguel Coelho ​

Coelho deixou claro que não aceita veto do PP sobre o União Brasil — e vice-versa. Com duas vagas ao Senado em disputa, o ex-prefeito de Petrolina chegou a propor uma solução inusitada: disputar as duas vagas ao lado de Eduardo da Fonte.

Para fortalecer seu nome, Coelho tem investido em eventos de grande visibilidade. No dia 18 de junho, assumiu o centro das atenções no Arraial do Coração, tradicional festa junina de Petrolina, ao lado da governadora Raquel Lyra — uma demonstração de prestígio político e capacidade de reunir lideranças em torno de seu projeto. ​

Deputado federal com forte atuação em Brasília, Eduardo da Fonte tem construído sua candidatura com base na estrutura partidária do PP e no apoio de Ciro Nogueira. Na última quinta-feira (18), iniciou um giro por regiões do Estado, começando pela Mata Norte, onde concedeu entrevistas e lançou o projeto "Papo que Transforma" — uma clara estratégia de campanha para se aproximar do eleitorado pernambucano.

A escolha da executiva estadual deu a da Fonte um trunfo institucional, mas a falta de consenso com o União Brasil deixou a definição em suspenso.

No centro do furacão, a governadora Raquel Lyra (PSD) mantém a cautela. Foi ela quem ofereceu as duas vagas ao Senado à Federação União Progressista — oferta que o União Brasil aceitou, mas que o PP, aparentemente, não engoliu por completo, optando por indicar Eduardo da Fonte de forma unilateral.

Miguel Coelho deixou claro que a palavra final será da governadora:

"O momento de definição será nas convenções e sob a liderança da governadora Raquel Lyra. Estamos firmes em nossa caminhada ao Senado." ​

A expectativa é que a executiva nacional da Federação União Progressista se reúna nos próximos dias para tentar costurar um acordo. Até lá, o impasse persiste — e a governadora Raquel Lyra segue como a árbitra da disputa, com a difícil missão de manter a unidade de uma base governista que já mostra rachaduras.

A eleição de 2026 em Pernambuco promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos. Do lado governista, Raquel Lyra busca a reeleição com uma chapa que precisa ser bem costurada para enfrentar a oposição liderada pelo pré-candidato João Campos (PSB), que conta com o apoio do presidente Lula.

A governadora, no entanto, tem minimizado o impacto do apoio presidencial ao adversário. Em entrevista à Rádio Asa Branca, em Salgueiro, afirmou: "Não muda nada. A gente continua com as parcerias firmes com o Governo Federal e com o presidente Lula." ​

A definição sobre o Senado será um teste de fogo para a liderança de Raquel Lyra. Escolher entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho não é apenas uma questão de preferência pessoal — é uma decisão que pode definir alianças, equilibrar forças regionais e determinar o destino da campanha majoritária no Estado.

Reunião da Executiva Estadual: A Federação União Progressista deve se reunir novamente no próximo dia 29, no Recife, para discutir o posicionamento para as eleições — incluindo, possivelmente, uma deliberação sobre a disputa pelo Senado.

Convenções Partidárias: A definição oficial das candidaturas só ocorrerá nas convenções partidárias, previstas para agosto.

Giro de Eduardo da Fonte: O deputado federal continua sua agenda de visitas pelo interior do Estado, buscando fortalecer sua base eleitoral.

Agenda de Miguel Coelho: O ex-prefeito de Petrolina segue articulando com lideranças locais e exibindo prestígio ao lado da governadora.

A disputa está aberta. E Raquel Lyra segura a chave do quebra-cabeça.

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