## Pernambuco em Alerta: Repressão a Vendedores Ambulantes Causa Indignação e Põe em Risco o 'Ganho Pão' de Famílias

A cena tem se tornado cada vez mais comum e revoltante nas ruas e centros comerciais de Pernambuco: vendedores ambulantes, muitos deles pais e mães de família que encontram no comércio informal a única fonte de renda, têm suas mercadorias apreendidas em operações de fiscalização municipal. Longe de um incentivo ao pequeno empreendedor, a população assiste, com crescente indignação, à perseguição de quem busca apenas sobreviver.

De feiras livres a calçadões de praias e centros urbanos movimentados, os relatos de ambulantes que perdem seus produtos – de lanches e bebidas a artesanato, roupas e pequenos eletrodomésticos – são crescentes. Para esses trabalhadores, muitas vezes sem acesso ao mercado formal de trabalho, a venda nas ruas representa a única chance de sustentar suas famílias, pagar contas e colocar comida na mesa.

"Não sei o que fazer. É o dinheiro do aluguel, da comida dos meus netos", desabafa Maria das Graças, 58 anos, que vende tapioca e bolos caseiros no centro de Olinda há mais de duas décadas e teve seu carrinho e toda a produção apreendidos na última semana. "A gente não está pedindo esmola, só queremos trabalhar. Eles vêm como se fôssemos bandidos, mas somos pais e mães de família tentando sobreviver. Cadê a ajuda, o incentivo que tanto falam?", questiona, com lágrimas nos olhos.

A situação tem gerado forte reação nas redes sociais e entre a população em geral. Vídeos de apreensões, muitas vezes conduzidas de forma brusca e com a presença de guardas municipais e policiais, circulam com frequência, alimentando o debate sobre a necessidade de humanização e diálogo por parte das prefeituras.

"É um absurdo! Em vez de ajudar quem está tentando se virar honestamente, a prefeitura persegue. Cadê o incentivo ao pequeno empreendedor? Parece que querem varrer a pobreza para debaixo do tapete, mas a realidade está aí", comenta João Pedro, estudante universitário e morador do Recife, que presenciou uma apreensão na Praça do Derby. "Essas pessoas estão trabalhando. Se há uma questão de legalidade, que se crie um programa de formalização justo, acessível, não essa repressão que tira o sustento de quem já tem tão pouco."

As prefeituras, por sua vez, justificam as ações alegando a necessidade de organizar o espaço público, garantir a segurança sanitária dos produtos e combater a informalidade. No entanto, críticos apontam que a abordagem repressiva ignora a complexa realidade social e econômica que empurra tantos para o comércio ambulante, especialmente em um cenário de alto desemprego e dificuldades econômicas.

"Não se trata de legitimar a desordem, mas de criar pontes. É preciso oferecer alternativas, programas de formalização acessíveis, microcrédito e diálogo, não apenas a apreensão punitiva", argumenta Dr. Carlos Eduardo Medeiros, advogado especialista em direitos humanos e urbanismo. "Apreender a mercadoria é tirar o pão da boca de quem já luta diariamente. É preciso que o poder público enxergue o ambulante não como um problema a ser erradicado, mas como um cidadão em busca de dignidade e um agente econômico informal que pode ser integrado."

Enquanto os vendedores ambulantes clamam por dignidade e por uma chance de trabalhar, a sociedade exige uma solução que vá além.