Por Lusmar Barros BlogPernambucoPE — 31 de maio de 2026

O governo federal e os estados da Bahia e Pernambuco anunciaram nesta semana o projeto da "Rota dos Sertões", uma nova rodovia que promete transformar a conectividade entre os dois estados nordestinos e acelerar o desenvolvimento de uma das regiões mais castigadas pela seca e pelo isolamento geográfico do Brasil.

A obra, que ainda está em fase de licitação, prevê a construção de aproximadamente 380 quilômetros de pavimentação e duplicação de trechos estratégicos que ligarão o sertão baiano às cidades pernambucanas do Vale do São Francisco e do Agreste. A expectativa é que a rota reduza em até 40% o tempo de viagem entre Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) — hoje feita principalmente pela BR-407 e rodovias estaduais em condições precárias.

Atualmente, quem precisa se deslocar entre cidades do interior da Bahia e Pernambuco enfrenta estradas de terra em trechos longos, buracos, pontes deterioradas e sinalização inexistente. A nova rota pretende:

- Pavimentar 180 km de estradas de terra entre municípios como Curaçá, Casa Nova (BA) e Petrolândia, Lagoa Grande (PE);

- Construir 12 pontes sobre rios e grotas do semiárido;

- Criar corredores logísticos para escoamento de frutas, mel e produtos da agricultura familiar;

- Instalar 8 postos de atendimento ao usuário, incluindo ambulâncias e equipes de resgate.

Economistas ouvidos pela reportagem estimam que a Rota dos Sertões pode injetar até R 2,3 bilhões na economia local nos primeiros cinco anos de operação. A região abrange cerca de 3,5 milhões de habitantes em 45 municípios, muitos deles com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) inferior à média nacional.

> "Estamos falando de uma região que produz 60% da manga e 40% do mel do Brasil, mas perde quase 30% da produção por falta de estrutura para escoamento. Essa rodovia é, antes de tudo, uma questão de justiça econômica", afirmou o secretário de Infraestrutura da Bahia, em entrevista coletiva.

O projeto também prevê a criação de rotas turísticas paralelas, valorizando o patrimônio histórico e cultural do sertão. Pontos como a Casa de Maria Bonita em Paulo Afonso, o Museu do Sertão em Petrolina e as grutas de Casa Nova devem ganhar sinalização e centros de visitantes.

A Rota dos Sertões ainda busca integrar-se ao projeto de ecoturismo do Velho Chico, aproveitando a proximidade com o Rio São Francisco para atrair visitantes interessados em passeios de catamarã, pesca esportiva e turismo de aventura.

O investimento total estimado é de R 4,8 bilhões, com recursos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no Fundo Nacional de Desenvolvimento (FNDE) e em parcerias público-privadas (PPPs). As obras devem começar no primeiro semestre de 2027, com previsão de conclusão em 72 meses.

Petrolina – Casa Nova 95 km 2º trimestre/2027

Ambientalistas e movimentos sociais já manifestaram preocupação com o impacto da obra sobre áreas de preservação do bioma Caatinga. O Ministério Público Federal acompanhará de perto o licenciamento ambiental, exigindo compensação por eventuais desmatamentos.

Há também questionamentos sobre a capacidade de manutenção da rodovia após a entrega. Especialistas lembram que outras obras no Nordeste, como trechos da BR-316 no Piauí, sofrem com abandono e falta de conservação.

> "Construir é importante, mas precisamos garantir que a Rota dos Sertões não vire mais uma estrada esquecida. O orçamento de manutenção precisa estar assegurado desde o projeto", alertou a professora de Geografia da UFPE, Dra. Carla Mendonça.

Em entrevistas no interior, a expectativa é grande. Seu Antônio Ribeiro, 67, produtor rural em Lagoa Grande (PE), resume o sentimento da região:

> "Aqui a gente planta, colhe, mas na hora de levar pra vender, o caminhão quebra no meio do caminho. Se essa estrada sair do papel, vai mudar a vida de gente que nunca viu asfalto na porta de casa."

A Rota dos Sertões, se concretizada, poderá ser um marco na história de uma região que, apesar das adversidades, segue produzindo, resistindo e esperando por dias melhores no coração do Brasil.

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