O governo mexicano analisa internamente a continuidade dos envios de petróleo para Cuba, pressionado pelas ameaças de retaliação do presidente Donald Trump, que visa cortar as últimas fontes de energia da ilha.

A estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) cancelou um carregamento de petróleo bruto previsto para janeiro, originalmente programado para meados do mês, conforme documentos analisados pela Bloomberg e reportagens recentes.

Tensões Geopolíticas e Crise Energética em CubaCuba enfrenta grave escassez de energia após o fim dos suprimentos venezuelanos, devido a sanções dos EUA, bloqueios a navios e a queda de Nicolás Maduro, tornando o México o principal fornecedor individual da ilha.

Trump declarou publicamente que "não haverá mais petróleo ou dinheiro indo para Cuba", intensificando temores de retaliações contra aliados regionais.

Apesar disso, a presidente Claudia Sheinbaum reafirmou publicamente a manutenção dos envios por razões contratuais e humanitárias, criticando o bloqueio econômico dos EUA vigente há décadas.

Dados de Exportação e Implicações RegionaisEntre janeiro e setembro de 2025, o México enviou cerca de 17,2 mil barris diários de petróleo bruto e 2 mil de derivados para Cuba, totalizando US$ 400 milhões, um aumento significativo que representa 44% das importações da ilha.

Internamente, o governo discute opções como suspensão total, redução ou manutenção, equilibrando solidariedade com riscos como negociações do USMCA e combate a cartéis.

A decisão soberana do México destaca princípios de fraternidade latino-americana, mas pode agravar tensões com Washington.

Impacto Humanitário e PerspectivasA ilha caribenha depende de importações para eletricidade, gasolina e querosene, com apagões frequentes agravados pelas sanções que causaram prejuízos de mais de US$ 7,5 bilhões entre 2024 e 2025.

Para Pernambuco e o Nordeste brasileiro, esse episódio reforça debates sobre dependência energética regional e solidariedade frente a pressões externas dos EUA.

O México busca evitar uma crise humanitária em Cuba, mas prioriza sua soberania em meio às ameaças.