O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (13) para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em decisão que reverbera nos corredores do poder em Brasília. A confirmação da detenção pela Segunda Turma da Corte produz duas consequências imediatas no cenário político: tira o foco das investigações do próprio Supremo e, ao mesmo tempo, intensifica o temor entre parlamentares do Centrão de que o empresário venha a firmar uma delação premiada.

O julgamento virtual, iniciado na manhã desta sexta, consolidou a decisão monocrática do ministro André Mendonça, que decretou a prisão de Vorcaro e de outros três investigados no último dia 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A defesa do banqueiro apostava em um empate na turma, já que o ministro Dias Toffoli — que deixou a relatoria do caso após pressão política — decidiu não participar da votação.

Em sua manifestação na sessão virtual, Mendonça não apenas reproduziu os fundamentos de sua decisão inicial, mas rebateu pontos apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão, comandado por Paulo Gonet, havia argumentado que as mensagens de Vorcaro descobertas em seu celular — incluindo ameaças de morte e supostos vínculos com milícias — eram antigas e, portanto, não representavam risco imediato às investigações.

O relator discordou. "Como último aspecto relacionado à presença da exigida contemporaneidade, recorda-se que o crime de organização criminosa possui natureza permanente, a significar que a sua consumação se prolonga enquanto durar a associação estável de quatro ou mais pessoas estruturalmente ordenadas", afirmou Mendonça. O ministro destacou que o descobrimento recente das mensagens, mesmo que trocadas meses antes, robustece a convicção na necessidade da prisão.

Nos bastidores de Brasília, a manutenção da prisão de Vorcaro é interpretada como um catalisador para uma eventual delação premiada. A avaliação de investigadores e analistas políticos é que, com a permanência do empresário atrás das grades, crescem as chances de que ele opte por colaborar com a Justiça para obter benefícios processuais — cenário que causa apreensão entre políticos do Centrão e outros atores que possam ter se relacionado com o banqueiro.

O caso Master já revelou uma rede de contatos que atravessa espectros ideológicos. Mensagens atribuídas a Vorcaro mostram diálogos com autoridades de diferentes instâncias do poder, incluindo o próprio ministro Alexandre de Moraes, que negou ter recebido os contatos. A divulgação dessas conversas fez o Supremo voltar ao centro da crise política, embora a saída de Toffoli da relatoria tenha reduzido a pressão sobre a Corte.

A decisão de Toffoli de não participar da votação desta sexta abriu uma brecha para a defesa de Vorcaro. Em caso de empate na Segunda Turma — composta por Mendonça, Kássio Nunes Marques, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Toffoli — prevaleceria o resultado mais favorável ao investigado, que poderia ser a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar ou até mesmo o uso de tornozeleira eletrônica.

No entanto, a formação de maioria para manter a prisão sinaliza que o caso seguirá seu rito natural sob a relatoria de Mendonça, afastando o risco de que o inquérito se transforme em um "caso Supremo", como ocorreu durante a gestão de Toffoli. A mudança de relator foi interpretada por ministros como uma tentativa de despolitizar as investigações e retirar o foco das instituições judiciais.

A Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras, gestão fraudulenta de instituição bancária, manipulação de mercado e lavagem de capitais, está longe de encerrar. A análise dos celulares apreendidos com Vorcaro está apenas no início, e especialistas projetam que as apurações devem se estender ao longo de todo o período eleitoral de 2026.

A nova fase da operação, deflagrada no dia 4 de março, incluiu quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, além do bloqueio de bens que podem alcançar R 22 milhões. Dois ex-servidores do Banco Central — o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana — também foram afastados judicialmente por decisão de Mendonça.

A defesa de Vorcaro, por sua vez, já apresentou petição ao STF solicitando a abertura de inquérito para apurar o vazamento das mensagens e argumentando que o empresário não praticou atos de obstrução à Justiça. Em depoimento à Polícia Federal, o banqueiro apresentou sua versão sobre a liquidação do Banco Master, atribuindo a crise a uma "ofensiva articulada" de concorrentes e setores do próprio Banco Central.

Com a manutenção da prisão, o foco das atenções em Brasília se desloca do Supremo para as possíveis revelações que uma delação de Vorcaro poderia trazer. O caso Master já mostrou indícios de acesso indevido a sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até da Interpol, segundo mencionado por Mendonça em sua decisão de prisão.

Para o Centrão e outros grupos políticos, a expectativa é de dias de apreensão. A proximidade com o banqueiro — até então vista como uma porta de entrada para o sistema financeiro e para influência junto a órgãos reguladores — pode se transformar em um passivo eleitoral em ano de disputa por cargos majoritários e legislativos.

🔍 Investigação: Operação Compliance Zero (Caso Master)

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