Na tarde desta terça-feira, 28 de abril de 2026, um episódio inédito na história política de Ipubi, no Sertão de Pernambuco, marcou a abertura dos trabalhos legislativos na Câmara Municipal de Vereadores. O presidente da Casa, Damázio Pulquério (PSB), subiu à tribuna praticamente sozinho. Ao seu lado, apenas a secretária da sessão.

[caption id="attachment_14699" align="aligncenter" width="300"] Foto: Ipubiresenha Presidente Damázio Pulquério[/caption]

Os demais vereadores e os próprios secretários da Mesa Diretora — eleitos para o biênio 2025-2026 — simplesmente não compareceram.

[caption id="attachment_14700" align="aligncenter" width="300"] Foto: Ipubiresenha[/caption] O que se viu foi um plenário vazio. Sem quórum, sem debates, sem a presença dos representantes eleitos pelo povo. Diante do microfone, o presidente Pulquério não teve outra alternativa a não ser dirigir-se à secretária e determinar que fosse registrado em Ata o episódio: a sessão que não aconteceu, a cessão que se tornou um ato solitário de quem, pelo menos, cumpriu com o dever de comparecer.

[caption id="attachment_14701" align="aligncenter" width="300"] Foto: Ipubiresenha[/caption] A cena, transmitida ao vivo pelas redes sociais da Câmara, não passou despercebida. Em poucos minutos, os comentários tomaram conta das publicações. A população de Ipubi, indignada, não poupou críticas. “Falta de compromisso com o povo”, escreveu um morador. “Preocupação zero dos parlamentares para trabalhar”, lamentou outro. “O respeito com o salário que ganham, sendo pagos com dinheiro público, é nenhum”, disparou uma internauta.

Nas redes, a especulação também ganhou força. “Isso tudo foi combinado entre eles para não virem”, sugeriu um cidadão. Outro foi mais incisivo: “O que aconteceu para se ausentarem?”. A frase ecoou como uma das principais indagações deixadas no ar.

Seria a ausência em massa uma forma de protesto silencioso? Uma estratégia para barrar alguma pauta? Ou, simplesmente, o descaso institucional tomou conta de uma Casa que deveria ser o espaço máximo do debate democrático?

O fato é que, pela primeira vez na memória recente de Ipubi, a Câmara Municipal abriu seus trabalhos com apenas uma cadeira ocupada: a do presidente. A secretária, cumprindo seu papel, lavrou a Ata. Mas o que ficou registrado no papel não foi uma sessão ordinária. Foi um vazio. Um vácuo institucional que grita mais alto do que qualquer discurso.

Onde estavam os demais vereadores? Por que o 1º Secretário, Cézar Vicente (PSD), e a 2ª Secretária, Marinalva Angélica (PSD), integrantes da Mesa Diretora eleita por unanimidade no início desta legislatura, não se fizeram presentes? Haveria algum comunicado prévio de impedimento, ou as ausências foram deliberadas e coordenadas?

O povo de Ipubi, que paga os salários dos edis e mantém a Casa legislativa com recursos públicos, merece respostas. O registro em Ata garante a formalidade do ocorrido, mas não explica as causas. E sem explicações, o que resta são as interrogações.

O que de fato aconteceu na Câmara Municipal de Ipubi na tarde de 28 de abril? Por que os vereadores desertaram do plenário no momento em que a população mais precisa de representatividade? Foi omissão, foi articulação, foi indiferença?