Por Lusmar Barros | Blog Pernambuco PE 10 de abril de 2026
Brasília (DF) – Preso desde setembro de 2025 sob suspeita de ser um dos principais líderes do esquema de desvios de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o empresário Maurício Camisotti confessou a existência de fraudes nos descontos das aposentadorias e assinou acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF).
Trata-se da primeira colaboração formal firmada no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga um gigantesco esquema de descontos indevidos diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas, com prejuízos estimados em bilhões de reais aos beneficiários.
De acordo com informações confirmadas por veículos como Estadão, Folha de S.Paulo e Metrópoles, a PF já colheu todos os depoimentos do delator e encaminhou o acordo ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso. O ministro agora analisa os termos para homologar a delação e dar validade jurídica ao documento.
A expectativa da defesa de Camisotti é que, após a homologação, o empresário consiga o benefício da prisão domiciliar. Ele foi transferido no final de março da Penitenciária II de Guarulhos para a Superintendência da PF em São Paulo justamente para facilitar as negociações.
Camisotti comandava associações de aposentados que firmavam convênios com o INSS para realizar descontos automáticos na folha de pagamento. Na delação, ele detalhou toda a sistemática das fraudes, incluindo a inclusão indevida de nomes de beneficiários e a cobrança de mensalidades sem autorização expressa.
Além da colaboração de Camisotti, a PF avança em tratativas com outros presos da operação. Um dos principais é o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, preso em novembro de 2025 sob suspeita de receber propina dos operadores do esquema. Sua mulher, a médica Thaísa Hoffmann, chegou a ser presa, mas foi liberada por André Mendonça por questões humanitárias (o casal tem um filho de apenas um ano).
O ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidélis, preso desde novembro, também já procurou os investigadores para discutir um acordo de delação, mas as conversas ainda estão em fase inicial. Seu filho, o advogado Eric Fidélis, foi preso em dezembro.
Fontes próximas às investigações afirmam que Camisotti relatou suspeitas de envolvimento de dirigentes do INSS e de políticos no esquema. Todo o teor dos depoimentos permanece em sigilo e deve servir de base para novas fases da Operação Sem Desconto.
O nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não deve aparecer na colaboração de Maurício Camisotti, segundo apuração do Estadão. O relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), havia proposto o indiciamento de Lulinha por conta de sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS” (preso na mesma operação). Lulinha admitiu ao STF ter recebido uma viagem a Portugal bancada por Antunes, mas negou qualquer negócio ou recebimento de valores.
A delação de Camisotti marca um ponto de virada na maior investigação sobre fraudes no INSS dos últimos anos e pode acelerar a identificação de novos envolvidos na “farra dos descontos”.
O Blog Pernambuco PE continua acompanhando de perto os desdobramentos da Operação Sem Desconto e todos os reflexos políticos e econômicos do caso. Fique ligado para mais informações exclusivas dos bastidores da política nacional e pernambucana.
