A região Norte do Brasil pode se tornar o grande corredor da direita no Senado Federal em 2026. Com 14 das 81 cadeiras da Casa em disputa, o bloco conservador articula uma ofensiva para ampliar sua representação na Amazônia — e os primeiros levantamentos de intenção de voto já mostram cenários favoráveis a essa estratégia. Em quatro dos sete estados da região, pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral apontam nomes de centro-direita e direita na frente da corrida. Abaixo, o estado a estado do que as urnas podem definir.
AMAPÁ: RAYSSA FURLAN DISPARA E RANDOLFE RODRIGUES FICA PARA TRÁS
No Amapá, a surpresa vem de fora da política tradicional. A primeira-dama de Macapá, Rayssa Furlan (Podemos), lidera com folga a disputa pelo Senado. Em pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, realizada entre 12 e 15 de março de 2026 com 1.220 eleitores em 15 municípios, Rayssa alcançou 63,8% das menções no primeiro cenário estimulado, contra 46,2% do senador Lucas Barreto (PSD). O líder do governo Lula no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT), ficou em terceiro lugar, com 39%.
A margem de erro é de 2,9 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O registro da pesquisa no TSE é o nº AP-00767/2026.
Outro levantamento, da AtlasIntel, ouviu 1.029 eleitores entre 23 e 28 de março de 2026 e também colocou Rayssa Furlan na liderança, com 33,7% no primeiro cenário e 34,4% no segundo. Randolfe Rodrigues apareceu com 16,3% e 16,8%, respectivamente. Registro TSE: AP-06595/2026.
Para a direita, uma vitória no Amapá representaria a retirada de um dos principais articuladores do governo federal no Senado.
AMAZONAS: BRAGA LIDERA, MAS BOLSONARISMO CRESC
No Amazonas, o cenário é mais acirrado. O veterano Eduardo Braga (MDB), que busca a reeleição, lidera com 28% das intenções de voto, segundo pesquisa da Quaest. O levantamento, encomendado pelo portal Real Time1, ouviu 1.500 eleitores entre 5 e 11 de março de 2026.
O nome da direita na disputa é o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), ligado a Jair Bolsonaro, que aparece em segundo lugar com 19%. O governador Wilson Lima (União Brasil) também está no páreo, mas ainda não se consolidou como alternativa de centro.
A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE é o nº AM-01091/2026.
Aqui, a estratégia conservadora passa por unificar o voto bolsonarista em torno de Alberto Neto para forçar uma segunda vaga.
PARÁ: HELDER BARBALHO ISOLADO NA FRENTE; DIREITA DISPUTA A SEGUNDA VAGA
No Pará, o governador Helder Barbalho (MDB) é o favorito absoluto ao Senado, com 40% das intenções, segundo pesquisa do Real Time Big Data realizada entre 20 e 21 de março de 2026, com 1.600 entrevistados.
A briga que interessa à direita é pela segunda cadeira. O deputado Delegado Éder Mauro (PL) aparece com 16%, tecnicamente empatado com Paulo Rocha (PT), que tem 9%, e Celso Sabino, com 9%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Registro TSE: PA-07965/2026.
A avaliação do governo Helder Barbalho é positiva: 79% dos paraenses aprovam sua gestão. Isso fortalece o MDB, mas abre espaço para que a direita conquiste a vaga restante se o voto de oposição se consolidar.
ACRE, RONDÔNIA, RORAIMA E TOCANTINS: FORTALEZA CONSERVADORA SEM PESQUISAS RECENTES
Nos demais estados da região Norte, a ausência de pesquisas eleitorais registradas no TSE nos últimos meses não esconde a coloração política do eleitorado.
No Acre, o governador Gladson Cameli (PP) é o nome mais forte para o Senado, enquanto o senador Márcio Bittar deve se filiar ao PL e compor uma chapa conservadora. No Rondônia, o senador Marcos Rogério (PL) busca a reeleição em um estado onde Bolsonaro venceu com folga em 2022.
Em Roraima, o governador Antonio Denarium (PP), impedido de se reeleger, deve migrar para o Senado, enquanto o senador Mecias de Jesus (Republicanos) tenta a reeleição. Já no Tocantins, o senador Eduardo Gomes (PL) é o candidato natural da direita à reeleição.
Somando o cenário, a direita tem condições reais de eleger pelo menos 8 dos 14 senadores da região Norte. Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins já apresentam perfil majoritariamente conservador. Amazonas e Pará são os grandes campos de batalha. E o Amapá pode entregar uma derrota emblemática ao governo federal, com a queda de Randolfe Rodrigues.
Se confirmada essa projeção, o Senado terá uma bancada amazônica majoritariamente de oposição — mudando o equilíbrio de poder para aprovação de ministros do Supremo Tribunal Federal, PECs e projetos de lei de interesse do Palácio do Planalto.
A eleição para o Senado em 2026 não é apenas sobre nomes ou partidos. É sobre quem vai controlar o ritmo do Congresso Nacional nos próximos quatro anos. E a região Norte, longe de ser apenas palco de debates ambientais, pode virar a grande locomotiva da direita em Brasília.
Estado Instituto Registro TSE Data Entrevistados Margem de Erro
Amapá Paraná Pesquisas AP-00767/2026 12–15/03/2026 1.220 ±2,9%
Amapá AtlasIntel AP-06595/2026 23–28/03/2026 1.029 ±3%
Amazonas Quaest AM-01091/2026 05–11/03/2026 1.500 ±3%
Pará Real Time Big Data PA-07965/2026 20–21/03/2026 1.600 ±2%
