Com mais de 98% dos votos apurados, Keiko Fujimori virou sobre Sánchez, mas com diferença mínima no 2º turno da eleição no Peru.
Roberto Sánchez e Keiko Fujimori (foto de José Aguiar e Mariana Bazo, Ag. Xinhua)
Roberto Sánchez e Keiko Fujimori (foto de José Aguiar e Mariana Bazo, Ag. Xinhua)
A candidata do partido de direita Força Popular, Keiko Fujimori, voltou a ficar à frente no segundo turno da eleição presidencial peruana, por apenas 561 votos, com 50,002%, contra 49,998% do candidato do Juntos pelo Peru, Roberto Sánchez, com 98,216% das atas apuradas. Keiko superou Sánchez com o avanço da apuração dos votos no exterior, em que lidera com 63,429%. As seções ainda não contabilizadas no país, entretanto, são mais favoráveis ao candidato da esquerda, o que mantém a eleição indefinida.
Especificamente, Sánchez tem 9.032.092 votos contra 9.032.653 votos, de acordo com os dados oficiais publicados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). A diferença é de apenas 561 votos. Às 14h21 de quarta-feira (10), a diferença era favorável ao esquerdista por 4.965 votos.
No exterior, faltam pouco mais de 15 mil votos a serem apurados. No Japão, terra de seus ancestrais, Keiko lidera com 90% dos votos. Na China, a direitista venceu com 76%.
No Brasil, com quase 98% das urnas apuradas, há pequena vantagem de Keiko: 2.769 votos contra 2.203 do candidato da esquerda.
Inicialmente, os resultados oficiais parciais davam a Keiko uma ligeira vantagem sobre Sánchez, mas a tendência reduzia cada vez mais a margem até que, finalmente, o candidato de esquerda ultrapassou a filha do ex-presidente e ditador Alberto Fujimori.
Justamente Keiko defendeu a manutenção da serenidade durante a recontagem e destacou que agora o trabalho cabe aos seus representantes legais, que terão que lutar por cada ata. Além disso, ela voltou a pedir que os resultados sejam respeitados, independentemente do vencedor.
“O que se impõe é paciência e muita serenidade. Faço também um apelo aos representantes, não mais aos representantes de mesa, mas aos representantes legais, dos quais temos mais de 100 em todo o Peru, pois eles terão que lutar, analisar cada uma dessas atas e, bem, teremos que esperar e respeitar os resultados, seja qual for o vencedor”, afirmou, segundo o jornal La República.
Enquanto isso, da campanha de Sánchez, Gustavo Guerra García, membro da equipe técnica da campanha de Juntos pelo Peru, destacou o trabalho da ONPE durante o segundo turno eleitoral. Assim, ele destacou que mais de 95% das mesas apresentaram atas em conformidade e que o nível de contestações foi baixo, entre 1% e 2%.
“Desta vez, a ONPE esteve à altura. Não tivemos os problemas da última vez”, indicou ele, referindo-se ao primeiro turno das eleições.
Mais de 27 milhões de peruanos, entre eles 1,2 milhão de cidadãos residentes no exterior, foram às urnas neste domingo, em uma das disputas eleitorais mais acirradas dos últimos tempos.
Em sua quarta tentativa de conquistar a Presidência, Keiko Fujimori venceu nos principais centros populacionais, como a capital Lima, ou Cuzco, enquanto Sánchez conquistou o apoio do eleitorado nas regiões que tradicionalmente protestam contra o excesso de centralismo no país.
Sánchez obteve maioria no centro, sul e leste do país, onde se concentram as áreas rurais, de floresta e de montanha. Por sua vez, Keiko obteve seus melhores resultados na costa.
O Peru realizou eleições presidenciais e legislativas em 12 de abril para escolher um novo presidente, vice-presidentes, membros de ambas as casas do Congresso e representantes para o Parlamento Andino, para um mandato que vai até 2031.
Keiko Fujimori chegou à frente no primeiro turno, com 17,18% dos votos, seguida por Roberto Sánchez, com 12,03%. Rafael López Aliaga, do partido de extrema direita Renovação Popular, ficou em terceiro lugar com 11,9%.
De acordo com a lei eleitoral peruana, um candidato à presidência precisa obter mais de 50% dos votos no primeiro turno para ser eleito. Se nenhum candidato atingir esse patamar, os dois candidatos mais votados avançam para o segundo turno, realizado neste domingo (7).
Fujimori, de 50 anos, apoia uma agenda pró-mercado, focada em investimentos e medidas rigorosas contra o crime.
Sánchez, de 57 anos, defende mudanças no modelo de desenvolvimento do Peru e um papel mais forte do Estado na economia. Em relação à segurança, ele defende o combate ao crime por meio de reformas na governança e políticas sociais.
Inicialmente, a matéria já dava como oficial a vitória de Sánchez, mas a apuração continua
Matéria atualizada às 11h58 de 11/6/2026 com os números mais recentes da eleição no Peru.
