A organização coletiva transforma territórios, fortalece direitos e impulsiona mudanças sociais
Existe no Sertão Pernambucano um movimento comunitário que a cada dia vem ganhando forças chama-se Comitê Prol Canal do Sertão Pernambucano formado por pessoas da comunidade local, agricultores e agricultoras, funcionários públicos, profissionais liberais, lideranças comunitárias.
O objetivo é a construção de um projeto chamado Canal de Irrigação do Sertão Pernambuco, - CSP com a proposta de irrigar 120 mil hectares de terras basicamente em todo o Sertão do Araripe, começando do lado da Bahia com captação de água no Lago de Sobradinho.
Essa proposta existe há mais de 30 anos, já esteve no PAC – Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal.
Os estudos existentes do Projeto Sertão Pernambucano estão localizados no submédio São Francisco, em sua margem esquerda, e abrangeram terras dos municípios de Petrolina (Rajada), Afrânio, Dormentes, Ouricuri, Trindade, Santa Cruz, Araripina, Ipubi, Bodocó, Exu, Granito, Serrita, Moreilândia, Santa Filomena e Cedro no estado de Pernambuco e Casa Nova no Estado da Bahia.
O Poder da Articulação Comunitária (Comitê Prol Canal do Sertão Pernambucano)
A articulação comunitária é uma das formas mais potentes de mobilização social. Em contextos marcados por desigualdades e vulnerabilidades históricas, comunidades organizadas constroem alternativas, reivindicam direitos e produzem soluções que o poder público frequentemente negligencia. Pesquisas mostram que, quando moradores se unem, criam redes de solidariedade, fortalecem vínculos e ampliam sua capacidade de incidência política.
A articulação hoje existente no Sertão em torno desta proposta tem avançado. Mês passado foi realizada um Audiência Pública na região na cidade de Trindade com as presenças de alguns políticos a nível municipal, estadual e federal (prefeitos, vereadores deputados e várias lideranças comunitárias)
• Organização coletiva de moradores em torno de problemas comuns;
• Construção de redes de apoio entre lideranças, associações e instituições locais, regionais, estadual e nacional;
• Ações colaborativas para enfrentar desigualdades e promover melhorias no território;
• Participação ativa na formulação e cobrança de políticas públicas.
Ela se baseia na ideia de que o território é um espaço vivo, construído socialmente, onde relações solidárias fortalecem a identidade e a resistência coletiva.
Por que a articulação comunitária tem tanto poder?
Foi articulada uma Audiência Pública na Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, na Assembleia Legislativa de Pernambuco - Alepe, através do seu presidente deputado Luciano Duque, onde nessa audiência deverá ser debatida a proposta em si e apontar caminhos ao governo federal como seja a modelagem financeira para implantação do projeto que tem um custo estimado em R$ 7 bilhões de reais.
A proposta a ser trata deverá ser a implantação do modelo financeiro através de uma PPP – Parceria Pública Privada logicamente onde o governo entra com uma parte e a iniciativa privada com outra na implantação total do projeto.
Fortalecimento da resistência frente às desigualdades
Em territórios periféricos como a região do Araripe, a ausência de políticas públicas é estrutural. A articulação comunitária surge como estratégia de sobrevivência e resistência, permitindo que moradores:
• criem soluções locais quando o Estado falha.
Projetos comunitários que estimulam participação horizontal
Como o Comunidade na Ativa mostra que a articulação fortalece:
A articulação comunitária também conecta diferentes setores (poderes públicos, municipal, estadual e federal), criando redes que ampliam o acesso a reivindicações. Esse modelo intersetorial supera práticas fragmentadas e fortalece políticas públicas mais humanas e integradas.
Elementos essenciais da articulação comunitária:
Identificação coletiva dos problemas do território.
Mutirões, oficinas, grupos de trabalho, redes de cuidado.
Articulação com Universidades, ONGs, coletivos e serviços públicos.
Impactos concretos da articulação comunitária
Comunidades organizadas conseguem ampliar acesso a serviços, infraestrutura e políticas públicas.
Redes de apoio fortalecem a segurança, a saúde mental e a proteção social.
A articulação gera conhecimento com e para a comunidade, produzindo mudanças estruturais e simbólicas.
A comunidade passa a reconhecer seu próprio valor, história e potência.
Apesar de seu poder, a articulação comunitária enfrenta:
Ainda assim, a organização coletiva permanece como uma das estratégias mais eficazes de transformação.
*Daniel Torres Araripe CEO da ADESA – Agência de Desenvolvimento Econômico e Social do Araripe.
