A região do Araripe está entre as beneficiadas com os repasses milionários oriundos da concessão parcial da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Os dez municípios do Polo Gesseiro deverão receber, somados, mais de R 61 milhões, valor que promove um verdadeiro "choque de infraestrutura" no território que historicamente convive com desafios hídricos.
Os valores estimados para o repasse total da outorga colocam Araripina como a maior beneficiada do Araripe, com R$ 11,8 milhões, seguida por Ouricuri (R$ 10,2 milhões) e Exu (R$ 8,1 milhões). A divisão dos recursos segue critérios técnicos estabelecidos em acordo entre o Governo de Pernambuco e a Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe).
O montante de R$ 1,4 bilhão destinado aos municípios foi dividido seguindo dois critérios objetivos: 50% de forma igualitária entre os 184 municípios pernambucanos que aderiram ao modelo e 50% proporcional ao peso da cidade em sua microrregião, considerando fatores populacionais e regionais.
Além das três maiores cidades do Araripe, os demais municípios receberão:
- Granito: R$ 4,0 milhões (valor mínimo garantido)
A garantia mínima de R$ 4 milhões para cada cidade foi uma das conquistas negociadas pela Amupe, garantindo que até os menores municípios tenham recursos significativos para transformação estrutural.
O repasse está sendo realizado em três parcelas. A primeira parcela, equivalente a 60% do valor total (aproximadamente R$ 844 milhões para todo o estado), teve início em fevereiro/março de 2026, com os valores já sendo creditados nas contas das prefeituras.
As parcelas subsequentes seguem o seguinte calendário:
- Segunda parcela (20%): prevista para setembro de 2026
- Terceira parcela (20%): repasse final após dois anos, em 2028
"Este é um momento em que não apenas celebramos a concessão exitosa, mas também desenhamos os próximos passos, porque o trabalho está apenas começando", afirmou a governadora Raquel Lyra durante assembleia da Amupe.
Há uma regra de ouro para o uso desses recursos: obrigatoriamente em infraestrutura, com foco prioritário em saneamento e abastecimento hídrico. Os prefeitos não podem destinar o dinheiro para custeio, folha de pagamento ou despesas correntes.
Para o Araripe, região que enfrenta periodicamente estiagens severas e dependência de carros-pipa em períodos críticos, esses recursos representam a oportunidade de consolidar sistemas de abastecimento resilientes, ampliar cobertura de esgotamento sanitário e investir em soluções estruturais que reduzam a dependência de emergências climáticas.
O maior contexto: R$ 19,1 bilhões em investimentos
Os repasses municipais fazem parte de um projeto maior. A concessão parcial da Compesa garantiu R$ 19,1 bilhões em investimentos em Pernambuco até 2033, com foco na universalização do acesso à água e ao esgotamento sanitário.
O estado foi dividido em dois blocos: o Bloco 1 (RMR-Pajeú), com 151 municípios, administrado pelo consórcio BRK-Acciona; e o Bloco 2 (Sertão Central e São Francisco), com 24 cidades, incluindo Araripina, Ouricuri, Bodocó, Granito e Santa Cruz, sob gestão do Fundo Patria.
A meta é ambiciosa: elevar de 87% para 99% a cobertura de água e de 34% para 90% a cobertura de esgoto, além de reduzir as perdas na distribuição de 48% para 25%.
Para os moradores do Araripe, que historicamente convivem com a escassez hídrica como realidade cotidiana, os milhões que chegam aos cofres municipais representam mais que números: são a concretização de décadas de reivindicações por infraestrutura básica digna.
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