BRASÍLIA, DF – A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) para a relatoria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS causou surpresa, inclusive ao próprio parlamentar. Gaspar revelou que não esperava ser designado para o cargo, que se concretizou após uma manobra da oposição que frustrou a indicação do senador Omar Aziz (PSD-AM), nome preferido pelo governo para a presidência da comissão.
Gaspar estabeleceu que a investigação da comissão se concentrará nos últimos 10 anos, abrangendo as administrações desde o segundo mandato de Dilma Rousseff (PT). Ao ser questionado sobre a possível convocação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o relator invocou o "princípio da igualdade", afirmando que, se Bolsonaro for chamado a depor, o mesmo deverá ocorrer com Dilma, Michel Temer (MDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O deputado declarou que pretende aprofundar as investigações sobre irregularidades nos descontos em folha e nos empréstimos consignados de beneficiários do INSS. Gaspar pretende utilizar a metodologia de "rastrear o dinheiro" para identificar os envolvidos no esquema de corrupção.
Gaspar detalhou os principais pontos do seu plano de trabalho:
Qual seria o ponto crucial apresentado à CPMI do INSS?
O essencial é definir uma estratégia de investigação clara, com objetivos bem definidos. Para alcançar o objetivo final, é necessário seguir eixos específicos, como delineado no plano de trabalho. Acreditamos que a melhor forma de chegar à verdade é rastrear o fluxo financeiro, e é isso que faremos. Estamos lidando com um caso de corrupção de grande magnitude, envolvendo o desvio de recursos de milhões de aposentados e pensionistas, além de irregularidades nos empréstimos consignados. Ao rastrear o dinheiro, poderemos elaborar um relatório baseado em fatos concretos. A tecnologia e os dados disponíveis serão ferramentas valiosas para acelerar as investigações.
