Governadora amplia base no Sertão com filiação de Victor Coelho em Ouricuri; João Campos prefeito do Recife reage com filiações no PSB, mas ainda patina na quantidade de gestores
A disputa pelo comando de Pernambuco em outubro já tem um primeiro capítulo escrito no interior do estado: a governadora Raquel Lyra (PSD) consolidou uma base de 77 prefeitos filiados à sua legenda, enquanto o pré-candidato João Campos (PSB) conta com 54 prefeitos em partidos aliados à sua candidatura. A diferença de 23 gestores coloca a atual chefe do Executivo estadual em posição de vantagem estrutural, embora as pesquisas de intenção de voto mostrem cenário competitivo.
O PSD de Raquel Lyra alcançou a marca de 77 prefeituras nesta semana com a filiação do prefeito de Ouricuri, Victor Coelho, eleito pelo Republicanos em 2024 com 53% dos votos. A adesão foi articulada pessoalmente pela governadora e reforça a presença da legenda no Sertão do Araripe, região estratégica para a política estadual .
Entre os prefeitos que compõem a base de Raquel Lyra estão nomes de peso em todas as regiões:
Região Metropolitana: Olinda (Mirella Almeida), Paulista (Ramos), Igarassu (Elcione Ramos), Ilha de Itamaracá (Paulo Galvão)
Agreste (fortaleza eleitoral da governadora): Caruaru (Rodrigo Pinheiro), Santa Cruz do Capibaribe (Helinho Aragão), Arcoverde (Zeca Cavalcanti), Jupi (Rivanda Freire), Cupira (Eduardo Lira)
Sertão: Salgueiro (Fabinho Lisandro), Sertânia (Pollyana Abreu), Dormentes (Corrinha de Geomarco), Tacaratu (Washington Ângelo), Ouricuri (Victor Coelho), Trindade (Helbinha Rodrigues)
Zona da Mata: Nazaré da Mata (Aninha da Ferbom), Rio Formoso (Berg de Hacker), Lagoa de Itaenga (Dimas Natanael)
A prefeita de Trindade, Helbinha Rodrigues, é um dos nomes mais recentes a reforçar a base de Raquel Lyra no Sertão. Eleita pelo União Brasil, ela se filiou ao PSD em maio de 2025 sob a articulação direta da governadora, que a recebeu com entusiasmo: "É uma alegria contar com Helbinha Rodrigues no nosso time. Ela é uma gestora comprometida com o povo de Trindade".
Do outro lado, João Campos tem conseguido reverter algumas perdas, mas ainda opera com uma base municipal menor. Segundo levantamento do JC, dos 184 prefeitos pernambucanos, 130 estão em partidos da base de Raquel Lyra contra 54 em legendas ligadas ao prefeito do Recife.
Nos últimos dias, Campos conseguiu filiar ao PSB dois prefeitos que estavam na base da governadora: Cachoeira, de Santa Cruz (que deixou o Avante), e João Marcos Siqueira, de Ipubi (que saiu do PSD). Ambos foram eleitos em 2024 e representam conquistas importantes no Sertão do Araripe, região onde Campos precisa crescer para equilibrar a disputa.
O pré-candidato também já havia conquistado outros quatro prefeitos que integravam a base de Raquel Lyra, incluindo Evilásio Mateus (Araripina), Eduardo Lira (Cupira) e Rivanda Freire (Jupi), embora estes últimos tenham migrado para outras legendas sem necessariamente declarar apoio explícito a Campos .
Para o cientista político Antônio Henrique Lucena, a vantagem numérica de Raquel Lyra é indiscutível, mas não garante vitória automática. "Prefeitos e vereadores possuem um grau de capilaridade muito maior na população, o que permite extrair mais votos. Eles têm uma base consolidada e conseguem converter esse apoio em resultados", explica.
A diferença de 23 prefeitos entre os dois principais palanques representa uma vantagem estrutural significativa para a governadora. Com 77 prefeituras, Raquel Lyra controla a maior máquina de campanha do estado, capaz de mobilizar votos em todas as regiões e garantir presença territorial em praticamente todos os municípios.
João Campos, por outro lado, conta com a força histórica do PSB no interior e com sua popularidade na Região Metropolitana, onde foi reeleito prefeito do Recife em 2024 com recorde de 78% dos votos. A estratégia do socialista é compensar a menor base municipal com uma agenda intensa de viagens ao interior e com o apoio do presidente Lula (PT), que deve fortalecer sua candidatura no campo progressista.
As pesquisas de intenção de voto mostram um cenário em aberto. Levantamento do Real Time Big Data divulgado em 8 de abril aponta João Campos com 50% das intenções no primeiro turno contra 33% de Raquel Lyra — vantagem que, se confirmada, poderia eleger o socialista já em outubro.
Já pesquisa do Instituto Veritá, divulgada em 6 de abril, mostrou empate técnico: 35,4% para cada um.
A diferença entre as estratégias é clara: enquanto Raquel Lyra aposta na construção de uma base pragmática, baseada na troca de apoio político por recursos e investimentos nos municípios, João Campos busca uma frente mais ideológica, alinhada ao governo federal e à defesa do legado do PSB em Pernambuco.
Com a janela partidária se aproximando, novas filiações devem ocorrer nas próximas semanas. Raquel Lyra mantém conversas avançadas com cúpulas do MDB nacional, enquanto João Campos tenta atrair prefeitos do PSD que estejam insatisfeitos com a governadora.
A homologação das federações partidárias também será crucial. O PSD deve integrar uma federação com MDB e outros partidos do centrão, o que ampliará ainda mais seu tempo de TV e recursos de campanha.
77 prefeitos filiados ao PSD (base de Raquel Lyra)
54 prefeitos em partidos aliados a João Campos
23 prefeitos de diferença entre os dois palanques
130 prefeitos em partidos da base de Raquel Lyra (incluindo PSD e aliados)
59 prefeitos já declararam apoio público: 30 a Raquel, 29 a João Campos
125 prefeitos ainda sem posicionamento declarado
